Na tela da minha lembrança habitam os azuis das tuas telas. Ainda azulada, ao adormecer, tenho meus sonhos enlaçados por tuas pinturas, e tantos matizes em azul intimidam o surpreso azul do meu olhar.
Teu talento convoca a literatura a compor com tintas os quadros, quando usas figuras de linguagem que fazem de cada obra um poema que fala por si.
Agora, a cada vez que olho o céu, exploro suas nuances e luzes em busca da sintonia que ele, ao saber da tua arte, imita sem o mesmo encanto. A natureza testemunha na tua pintura os movimentos que ela mesma não oferece tão precisos. Procuro reter na memória as transparências que teus pincéis sugerem e que acariciam, vaporosas, a superfície da tela.
Distante de teus quadros e em triste desamparo de tanta beleza, me consolo ao descobrir que Deus existe e se revela inteiro e azul nas tuas obras.