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PARA VARIAR, UM “ARTIGO”
Tonicidade em letra e música
A maioria dos compositores diz que é mais fácil “letrar” uma música do que musicar uma letra. Já ouvi vários deles afirmarem isso. Tom Jobim, por exemplo, entregava suas famosas e sempre ótimas melodias para Newton Mendonça, Dolores Duran, Vinicius de Moraes, Chico Buarque e outros tantos poetas colocarem letras. Décadas depois, o próprio Tom passou a compor suas canções, revelando-se um excelente letrista.
Para se “letrar” uma música, há que se observar, entre outros - e muitos! - itens, a tonicidade da frase melódica e fazer com que a tônica das palavras que irão compô-la coincida com a das notas musicais já prontas.
Há letristas que se saem muito bem nessa tarefa; outros, nem tanto.
A Classificação de sílabas quanto à tonicidade não é um tema muito fácil de ser assimilado por um aluno que cursa as séries iniciais do Ensino Fundamental, mas é interessante notar que, quando o ouvido do estudante é “musical”, ele entende a questão mais facilmente. Nesse caso, posso ilustrar e fixar o conteúdo com canções conhecidas como, por exemplo, “O cravo e a rosa”. Observe e cante junto para sentir a entonação (as tônicas de letra e música estão em negrito):
[ O cravo brigou co’a rosa / Debaixo de uma sacada / O cravo saiu ferido / E a rosa despedaçada ] .
Se, por outro lado, a criança apresentar dificuldade em descobrir onde está a sílaba mais forte, costumo sugerir-lhe que faça de conta que o vocábulo a ser analisado é o nome de uma pessoa a quem ela deve chamar. Esclareço, ainda, que a sílaba tônica se alonga quando a palavra é evocada; assim, as sílabas de “mesada”, por exemplo, sendo chamadas, ficariam: me – saaaa – da. A criança acha graça e acaba por aprender.
Voltando ao assunto do início, o letrista desatento pode deformar as palavras, quando não observa a coincidência obrigatória entre a tônica dessas e a das notas musicais. Um exemplo bem antigo, mas que muita gente conhece é a canção “Casinha pequenina”. Observe:
[Tu não te lembras da casinha pequenina / Onde nosso amor nasceu / Tinha um côqueiro do lado/ Que, coitado, de saudades / Já morreu].
O que houve aí? Cô – quei – ro? Uma palavra paroxítona tornou-se proparoxítona? Por quê? É a inadequação tônica entre letra e música. O divórcio de um casamento que poderia ter sido perfeito...E assim acontece com muitos dos nossos compositores mais queridos. É só estar atento, que ouvirá muitos “vô-ce” e outras palavras deformadas por aí afora. Quer só mais um exemplo? [ Pa-ra-béns a vo-cê/ Nes-ta da-ta que-ri-da/ Muitas fê-li-ci-da-des/ Mui-tos a-nos de vi-da]. A palavra felicidades tem duas sílabas tônicas nessa canção. É possível isso?
Como dizem por aí: Herrar é umano!

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A seguir, comentários sobre o "Artigo"
Escrito por Tere às 23h37
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Escrito por Tere às 00h07
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CORAGEM DE SER FELIZ
A incapacidade de observar nossos verdadeiros sentimentos nos deixa à mercê deles. O medo de uma possível dor futura paralisa nossa iniciativa impedindo-nos, muitas vezes, de viver a plenitude de uma felicidade inimaginável e que, freqüentemente, chega tarde até nós - mas a tempo!
Para sermos felizes, temos que correr riscos e, talvez, sofrer algumas dores, mas sem dor não há prazer, já que ela é seu parâmetro.
Alheia a tudo, fica a vida, a coar de modo impessoal e aleatório os acontecimentos, indiferente aos desejos humanos. Insana, dispõe de nossos destinos, se permitirmos, proporcionando uma série de acasos que ficam fora do nosso controle: convoca nossa felicidade hoje para demiti-la amanhã.
Se deixarmos que o capricho da vida se ocupe do nosso querer, ficaremos espiando a felicidade de longe, temendo o seqüestro definitivo de nossas emoções.
É preciso enfrentar os riscos, as possíveis perdas e correr atrás do que nos faz bem, nos completa, nos deixa plenos. Sem essa coragem, a vida nos fará desmanchar o sorriso como acontece após o “flash”de uma foto.
Às vezes, caminhamos durante muito tempo pela mesma estrada e, no final, recebemos um buquê de evasivas que embaralham nossa concepção a respeito de nossos próprios sentimentos.
Convém que aquilo que perseguimos durante anos, também nos procure, venha ao nosso encontro - por essa trilha que percorremos exaustos.
Jamais devemos deixar de procurar a felicidade, mas se não há correspondência, devemos mudar de direção. A dignidade humana precisa de respeito!
Escrito por Tere às 05h03
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