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DESCUIDO
Ele tentou desviar o rumo dos seus devaneios, mas num deslize do pensamento, o sorriso dela entrava sorrateiro, tornando todo o empenho do esquecimento vão.
Decidiu, então, passar o dia inteiro dentro de si próprio, tomando conta dos seus pensamentos, repondo carências, distraindo desdéns, despistando a solidão...
Ficou o dia todo a sós consigo mesmo . Naquele dia, ele nem ouviu música. Procurou recordações bem antigas - aquelas que até estão em preto e branco - a formar, ao menos, um esboço de sorriso em seu semblante. Aliás, ele não sabia como estava o seu semblante; ele nem se olhou no espelho: se tivesse se olhado, não teria se visto, tão interiorizado estava.
Curioso, foi para o fundo da memória procurar-se na infância e encontrou-se sozinho, pensando se no futuro, ele ainda estaria sozinho pensando...
Ele não queria pensar no amor, mas ficou refletindo com quem ela estaria desperdiçando o amor que é dele.
Passou o dia fugindo da lembrança dela e a esqueceu, por descuido, dentro de si.
Escrito por Tere às 04h13
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