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(SEM TÍTULO)
Despisto a insônia escrevendo. Escolho as palavras com critérios de esperança. Pulsa, na minha cisma, um apalpar de imaginações tapeando a espera que não espera mais, mas que fica em mim como um cacoete.
Plena de dúvidas, experimento tocá-lo de alguma forma, espremendo as idéias para entornar a criatividade - como se meu cérebro pudesse ficar seco pela ausência de comunicação.
Trilho, através dos textos, caminhos diversos, trêmula de expectativa. Na tela da minha mente, pincelam-se, plasmam-se tênues lembranças nas quais acreditei e que se esfumam com o passar do tempo. Sustento, ainda, uma nostalgia sutil do que teria ouvido, se pudesse ter assistido à gravação durante a madrugada, com a densidade maior que a música tem nesse período.
Ofegante, retenho essas imagens e sons, numa rala desconfiança de seu impedimento. Luto contra minha tendência em acreditar, porque se cresse, estaria de luto musical.
Atenta, percorro sua alma de maneira inglória e desperdiço meu léxico em cartas enevoadas de lágrimas que vertem por dentro, fazendo-me inchar de tristeza. Lanço meus sentimentos no papel e ingresso em jornadas várias, a fim de impedir que meu espanto - ante sua indiferença - me faça, um dia, deixar de escrever.
Escrito por Tere às 08h05
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