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UM DEDO DE PROSA
DÚVIDAS
Assalta-me o coração uma angústia imprecisa e impiedosa que não me deixa respirar. Solicita minha alma uma vaga melancolia a me fazer alheia na noite quase fresca em que, sozinha, recordo acontecimentos recentes que assombram minhas lembranças. Qual interpretação terão tido minhas falas e escritos propositadamente compostos para desorientar certezas? Qual impressão terá ficado dos variados estilos a que, em vão, recorri na ânsia de quebrar aquele sempre tão cruel e frio silêncio?
Quem serei? Aquela que morre de amor, ou a que enfrenta e rebate pretendendo provocar ira no afã de conseguir uma reação? Qual será a preferida? A humilde que implora ou a “cheia de si” que determina? Nenhuma das duas, talvez! Mas aquela que acalma - a de sempre: a que doa sem nada receber; a que adora sem dizer; a que chora sem confessar; a que arde no frio e se arrepia no calor; a culpada sem culpa nenhuma; a que é ferida, sangra e não tem quem a cure; a “comum” que não deixa lembranças; a que perdoa o que não há para ser perdoado; a que pede perdão pelo que nem fez; a que escreve por solidão; a que espera sem esperanças...
Escrito por Tere Sarmento às 10h50
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